imagem de ZerostoneSem poesia.
A vida faz-se depois de nascer e vive-se até morrer.
A criança nasce e morre.
E é isso.
Não há metáfora embelezada de vida igualada a ampulheta onde a areia escorre.
Não há maior jogo onde toda a sorte e azar são os resultados de um acaso onde a vontade e o querer são escravos de um qualquer compromisso.
É essa a verdade fria.
O que se esperava?
Uma vida mais elevada?
Isso não é ser.
É apenas querer.
Vamos perguntar à montanha se em algum momento desejou tornar-se tamanha.
Depois vamos escutar a resposta.
A montanha não nos vai responder.
Fará apenas um convite silencioso para subirmos a encosta.
Chegando lá em cima, resta-nos descer.
É assim que se conversa com as coisas maiores do que nós.
Apenas nós, que somos pequenos, temos verdadeira voz.
Mas nem sempre a voz é verdadeira.
A mentira usa a mesma arma traiçoeira.
Sem poesia.
Era isso que eu dizia.
Menti ou assim quis?
Apenas decidi e assim o fiz.
As moralidades importam a quem?
São apenas banalidade de alguém.
O fim do mundo não é um buraco fundo.
O fim do mundo é um começo.
É o lugar onde recordo e esqueço.
É uma cama imunda que não me quer.
É o suor que me inunda nos braços de uma mulher.
O fim do mundo é já ali.
Em ti.
Aqui.
Assim.
Em mim.

