Há coisas que nos fazem subir o olhar.
O coração bate mais depressa e o tempo peca por escassez.
Parece que aquilo que queremos não tem meio de nos encontrar.
É como não ter papel para representar numa peça em que passam à frente na nossa vez.
Quem fez as coisas assim?
E porque as fez para mim?
Eu quero subir o olhar para me espantar.
Não quero fazê-lo para invejar.
Quero erguer o olhar e ver-me lá em cima, na montanha intransponível do ser absoluto.
Mas o melhor querer de todos é querer nada.
Não quero olhar para as montanhas dos outros, senão a minha vontade fica de luto.
Não quero ir para a guerra e voltar para casa com a rendição de parte derrotada.
Quero olhar para mim.
Não é coisa de orgulho, nem tem de fazer sentido.
É apenas a insanidade do coração que me bate no peito assim.
É uma contradição da razão, como se fosse um achado perdido.
Se me espantares o olhar fazes-me invejar.
Dás-me inveja.
Dás-me inveja.
Se me espantares o coração dou-te a mão.
E o mais que seja.
E o mais que seja.

