- Porque é que eu estou aqui? - perguntou Adão, num sentido existencial.
- Porque é que não estás com a Eva? - interrogou-o Deus, num sentido literal.
Adão coçou estupidamente a cabeça.
- Não sei. - respondeu.
Deus descaiu os ombros, com desânimo, e disse:
- Adão és um idiota.
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Como se faz do mundo uma casa?

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Deitei-me.
Fiquei ali, na pedra fria do passeio. As pessoas a passarem e eu, alheio, deixei-me estar jogado no seu meio. Na minha cama. No meu drama. Nem sequer era de pedra. Era uma cama com muito menos poesia no existir. Era um coração apaixonado sem sentir. Era cimento. Era leito dado ao desconforto de me cobrir com lençóis feitos de vento.
As cidades são acolhimentos sem fundo para os desabrigados de todas as idades que envelhecem no mundo. Os prédios sabem acolher sem escolher. É tudo entulho para justificar a construção de mais um lote. A grande necessidade da cidade. Solidão. Saudade. Desilusão. Liberdade. Tudo serve de mote.
Os caminhos são deslizes de pavimento onde se cruzam pressas de sofrimento e sustento. Mas também há sorrisos e abraços. Há passeios divertidos, apesar de escassos.
Há amores e amizades. Há rumores e verdades.
Deitei-me, já cansado. De corpo marcado pela vida e esquecido da minha primeira partida.
De onde vim?
Como cheguei aqui?
A mim.
Não vi.
Mas vivi.
E a vida deixou-me assim.
Agora, deixo-me ficar por onde estou. O chão é frio mas descansa-me as pernas enquanto não vou.
Doem-me as costas. Doem-me como um par de mãos pregadas a uma cruz.
Dói-me a indiferença.
Mata-me não ter presença.
As pessoas olham-me e vêem apenas o passeio. Isso, eu sei-o.
Não sou vagabundo.
Apenas não gosto de paredes e vivo no mundo.

Achavam mesmo que eu tinha respostas?

Estão à espera que responda?

FAQed

A minha foto
cada um sabe de si (si, de mim, não de você... você sabe de si, ou seja, cada um sabe de você... vendo bem, todos sabem de si)
Achas que o mundo é uma equação estranha sem fórmula de resolução? Já pensaste enfiar os queixos na droga mas, ah e tal, isso custa os olhos da cara? Já ponderaste (seriamente) vender os olhos da cara para enfiar os queixos na droga? Parece-te que és vítima de mau-olhado frequente e/ou persistente? Já correste tudo quanto é bruxo charlatão e uma catrefada de senhoras que acham que a palma da mão é um bilhete de identidade metafísico? Resumindo... não regulas bem da cabeça?Pois não desesperes! A cura (vá, terapia... não queremos ser demasiado optimistas) para toda essa angústia EXISTE! A comunidade científica mais céptica dirá que é um placebo mas, afinal, o que raio sabem esses! Por fim... tcharan! O caminho para a CURA (terapia, vá): thefaqer[at]gmail[dot]com

Apelo à cidadania.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Nada de roubalheiras literárias, pode ser? (se não puder ser, que as mentes larápias se transformem numa lesma em decomposição... uma ratazana cadavérica também serve... conhecem o termo "esforriqueira"?... bem, isso adequa-se ao estado de matéria em que devem ficar os órgãos internos dos/as prevaricadores/as)